A fissura anal em crianças é uma pequena lesão ou “cortinho” na pele que reveste a região do ânus. Ela costuma estar relacionada à passagem de fezes endurecidas ou volumosas e pode provocar dor, principalmente durante ou depois da evacuação, além de pequenos sangramentos.
Embora possa parecer algo simples, uma fissura anal pode causar bastante desconforto para a criança e, em alguns casos, iniciar um ciclo de dor, medo de evacuar e prisão de ventre.
O que é uma fissura anal?
A região anal é bastante sensível. Quando uma criança elimina uma evacuação muito endurecida ou volumosa, a passagem das fezes pode provocar uma pequena ruptura na pele da região.
Essa lesão é chamada de fissura anal.
Um dos problemas é que a dor pode fazer com que a criança passe a evitar evacuar. Ela segura as fezes para não sentir dor novamente e, com isso, elas permanecem mais tempo no intestino, podendo ficar ainda mais ressecadas.
Assim, pode acontecer um ciclo:
fezes endurecidas → fissura → dor → medo de evacuar → retenção das fezes → fezes mais endurecidas.
Interromper esse ciclo é uma parte importante do tratamento.
Quais são os sintomas da fissura anal infantil?
Os sinais podem variar de uma criança para outra, mas os mais comuns são:
- Dor ao evacuar;
- Choro ou resistência para fazer cocô;
- Pequenas quantidades de sangue vermelho vivo nas fezes ou no papel higiênico;
- Medo ou tentativa de segurar as fezes;
- Desconforto ou dor na região anal;
- Prisão de ventre associada.
O sangramento causado por uma fissura geralmente aparece em pequena quantidade e pode ser percebido na superfície das fezes ou no papel após a evacuação.
Porém, nem todo sangramento pelo ânus deve ser automaticamente atribuído a uma fissura. Dependendo da idade e dos outros sintomas, outras causas precisam ser consideradas.
Fissura anal pode causar dor por muito tempo?
Pode.
Quando a fissura não consegue cicatrizar adequadamente ou volta a se abrir repetidamente, a criança pode continuar sentindo dor durante as evacuações.
E quanto mais a criança sente dor, maior pode ser a tendência de segurar as fezes.
Por isso, quando existe dor persistente, sangramento recorrente ou constipação associada, é importante avaliar a situação em vez de simplesmente esperar que desapareça sozinha.
Em crianças, a maioria das fissuras pode ser tratada sem cirurgia, principalmente quando a causa está relacionada à constipação.
Pode aparecer uma “pelinha” depois da fissura?
Em alguns casos, uma fissura que cicatrizou pode deixar uma pequena sobra de pele na região anal, conhecida como plicoma ou marca sentinela.
Para os pais, essa alteração pode parecer estranha ou até preocupante. Entretanto, nem sempre essa pele precisa ser retirada.
O mais importante é avaliar a região e entender se existe uma fissura ativa, inflamação ou outro problema associado antes de pensar em qualquer procedimento.
Como é feito o tratamento da fissura anal em crianças?
O tratamento depende da causa, da idade da criança, da duração dos sintomas e das características da fissura.
Quando existe constipação, uma das principais medidas é tratar o endurecimento das fezes, para que a criança consiga evacuar com menos dor e para que a lesão tenha condições de cicatrizar.
O tratamento pode envolver mudanças na alimentação e hidratação, medidas para deixar as fezes mais macias e, quando indicado pelo médico, medicamentos específicos. Em determinadas situações, também podem ser utilizados tratamentos tópicos.
A cirurgia não costuma ser a primeira opção para fissura anal em crianças. Procedimentos são considerados apenas em situações específicas, especialmente quando o problema é persistente ou não responde adequadamente ao tratamento conservador.
Por isso, identificar a causa e tratar a constipação, quando presente, é fundamental para diminuir o risco de novas fissuras.
Quando procurar um especialista?
É importante procurar avaliação médica quando a criança apresenta:
- Dor frequente ou intensa ao evacuar;
- Sangramento recorrente;
- Fissura que não melhora;
- Constipação persistente;
- Medo ou recusa para evacuar;
- Dor ou incômodo contínuo na região anal;
- Alteração na pele ao redor do ânus;
- Sintomas que continuam mesmo após o tratamento inicialmente orientado.
Se houver grande quantidade de sangue, sangramento sem evacuação, fezes negras, vômitos ou a criança estiver muito abatida, a avaliação deve ser feita com maior urgência.
Fissura anal infantil tem tratamento
A fissura anal pode ser pequena, mas o desconforto que ela provoca pode ser grande.
Quando a criança sente dor para evacuar, é comum que ela tente evitar o cocô. E esse comportamento pode acabar dificultando ainda mais a recuperação.
Por isso, quanto antes a causa for identificada e o ciclo de dor e retenção das fezes for interrompido, melhor.
Na maioria das crianças, o tratamento é clínico e busca principalmente controlar a constipação e permitir que a fissura cicatrize adequadamente.
Seu filho está com dor ou sangramento ao evacuar?
Se seu filho apresenta dor para fazer cocô, sangramento, fissura anal ou desconforto persistente na região, uma avaliação especializada pode ajudar a identificar a causa e orientar o tratamento mais adequado.
A Dra. Leila Rodrigues, médica pediatra especialista em Cirurgia Pediátrica e Coloproctologia Infantil, atua na avaliação de problemas relacionados ao intestino, reto e região anal das crianças em São Paulo.
Fissura anal tem tratamento. Se o problema está persistindo, procure uma avaliação para entender o que está acontecendo e ajudar seu filho a evacuar com mais conforto e segurança.






