Dor em bebê ao evacuar: é normal?

Se o seu filho chora, faz força ou parece sentir dor para fazer cocô, talvez você já tenha ouvido: “É normal, vai passar.”

Mas a palavra “normal” pode ser um pouco complicada.

Na medicina, muitas vezes dizer que algo é “normal” significa que não há sinais de uma doença grave. Isso não quer dizer que a criança precise simplesmente conviver com dor, dificuldade para evacuar ou episódios frequentes de constipação.

Em alguns bebês, fazer força e chorar antes de evacuar pode acontecer porque eles ainda estão aprendendo a coordenar os músculos necessários para fazer cocô. Quando as fezes são macias e o bebê está bem, isso pode ser chamado de disquesia do lactente.

Mas existem outras situações em que a dificuldade para evacuar merece atenção.

Meu bebê chora para fazer cocô. Devo me preocupar?

Nem sempre.

Bebês pequenos ainda estão desenvolvendo a coordenação necessária para evacuar. Por isso, podem fazer bastante força, ficar vermelhos e até chorar antes de conseguir eliminar as fezes.

Se as fezes são macias, o bebê está se alimentando e crescendo adequadamente e não apresenta outros sintomas, pode não existir uma doença por trás desse comportamento.

A situação é diferente quando as fezes são duras ou ressecadas, a evacuação é frequentemente dolorosa ou a criança começa a segurar o cocô por medo de sentir dor.

Nesses casos, pode existir constipação e é importante entender por que ela está acontecendo.

Quando a dificuldade para evacuar precisa ser investigada?

Existem crianças que realmente precisam de ajuda.

A constipação pode começar com fezes mais endurecidas. A criança sente dor ao evacuar e, por medo de sentir aquela dor novamente, passa a segurar as fezes.

Isso pode criar um ciclo:

fezes duras → dor → medo de evacuar → retenção → fezes ainda mais endurecidas → mais dor.

Em alguns casos, mudanças simples podem ajudar, sempre de acordo com a idade da criança e orientação do pediatra, como adequações na alimentação, ingestão adequada de líquidos e atividade física.

Outras crianças podem precisar de medicamentos específicos.

E existem situações em que é necessário investigar mais profundamente.

Dor para evacuar pode ter outras causas

A dor não deve ser automaticamente atribuída à constipação.

Uma criança que sente dor ou prende o cocô pode, por exemplo, apresentar uma fissura anal, que é uma pequena lesão na região do ânus. A fissura pode provocar dor e também pequenos sangramentos.

Também existem outras alterações da região perianal que podem passar despercebidas quando a avaliação não inclui um exame cuidadoso.

Por isso, quando a dor é persistente, existe sangramento ou o tratamento habitual não está funcionando, pode ser importante procurar um profissional com experiência nessa área.

E quando o tratamento não funciona?

Algumas crianças chegam ao especialista depois de já terem tentado diferentes tratamentos para constipação, mas continuam apresentando dor, retenção ou dificuldade para evacuar.

Nessas situações, a coloproctologia pediátrica pode contribuir para investigar se existe alguma alteração que ainda não foi identificada e avaliar outras possibilidades de tratamento.

Dependendo da causa e da gravidade, o tratamento pode envolver medicamentos ou procedimentos. Tratamentos mais invasivos, como lavagens intestinais, aplicação de toxina botulínica ou cirurgia, são reservados para situações específicas, após avaliação médica.

Isso significa que cirurgia não é a primeira opção para uma criança que simplesmente está tendo dificuldade para fazer cocô.

O mais importante é descobrir por que ela está tendo esse problema.

Quando procurar avaliação médica?

Converse com o pediatra ou procure avaliação especializada se seu filho apresentar:

  • Dor frequente para evacuar;
  • Fezes muito duras ou ressecadas;
  • Hábito de segurar o cocô;
  • Sangue nas fezes;
  • Fissuras ou lesões na região anal;
  • Constipação que não melhora com o tratamento orientado;
  • Dor ou dificuldade persistente para evacuar;
  • Distensão abdominal ou vômitos;
  • Dificuldade para ganhar peso ou outros sintomas associados.

A avaliação é especialmente importante quando o problema persiste ou interfere na rotina e no bem-estar da criança.

Afinal, dor para evacuar é normal?

A resposta não deve ser simplesmente “sim” ou “não”.

Alguns comportamentos durante a evacuação podem fazer parte do desenvolvimento normal do bebê. Mas isso não significa que toda dor, constipação ou dificuldade para evacuar deva ser ignorada.

Quando uma criança sente dor, prende as fezes, apresenta sangramento ou não melhora com as medidas habituais, vale investigar.

O objetivo não é apenas descobrir se existe uma doença. É também entender o que está causando o desconforto e como podemos ajudar a criança a evacuar sem medo e sem dor.

Seu filho está com dor ou dificuldade para evacuar?

Se ele está apresentando dor para fazer cocô, prendendo as fezes, tendo sangramentos ou não está melhorando com o tratamento, uma avaliação especializada pode ajudar a identificar a causa e definir o tratamento mais adequado.

A Dra. Leila Rodrigues, médica pediatra especialista em Cirurgia Pediátrica e Coloproctologia Infantil, atua na avaliação e tratamento de problemas relacionados à região anorretal e ao intestino das crianças em São Paulo.

Se essa situação está acontecendo com seu filho, procure atendimento. Entender a causa é o primeiro passo para ajudar a criança.

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